Cidadania é ação e a espiritualidade só faz sentido na ação!

Na tarde do passado sábado, dia 21 de Fevereiro, reuniram-se na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira cerca de 35 pessoas para reflectirem em conjunto sobre Cidadania, Espiritualidade e Família. Desafiadas pela Teresinha Tavares a partirem da análise de uma situação concreta, reproduzida ali através de um breve diálogo que retratava o facto de uma família com poucos recursos gerir de uma forma considerada inadequada o seu orçamento, debateram-se as causas e consequências desta situação. Foram apontadas inúmeras causas desde o desemprego à herança familiar e à estratificação social passando por políticas sociais erradas, criação de necessidades de consumo supérfluas e falta de bom senso. Daí advém a desintegração social. Usando esta abordagem participativa, inspirada na metodologia do pedagogo Paulo Freire, e trazendo depois à conversa a passagem bíblica relativa à multiplicação dos pães, viu-se que, nesta passagem do evangelho, Jesus partiu do que havia, do que estava disponível e responsabilizou os discípulos pela distribuição equitativa dos bens. Importa assim construir caminhos que levem as pessoas excluídas a redescobrir o seu valor, as suas capacidades e, logo, a sua dignidade, quebrando assim políticas e abordagens que anulam a dignidade individual de cada pessoa.

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A intervenção do Pe. Manuel Matos reforçou a dimensão espiritual do ser humano como uma necessidade que precisa de ser alimentada e que é esta que enforma a nossa acção. Continuou explicando que a espiritualidade cristã aponta para a libertação e para a abertura aos outros, para o amor ao próximo e para a generosidade. Sublinhando a importância do estar em relação com os outros, relembrou que a religião cristã convida a “procurar ver melhor” e a confrontarmo-nos com questões incómodas e procurando um maior discernimento sobre os problemas. Neste sentido, afirmou recorrendo novamente à passagem do Evangelho de S. Marcos, que Jesus convidou a procurar novas soluções e que a espiritualidade cristã é alicerçada na realidade e convida à ação. Assim, cabe a cada cristão decidir agir. Disse ainda que todo o ser humano tem em si o bem e o mal, apontando a época da quaresma como a época da conversão.

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Houve ainda a intervenção de um casal convidado da Guarda – Eduarda e Henrique- que trouxe uma reflexão sobre a família, os seus desafios e problemas e reforçaram a sua importância para a formação de cidadãos e cidadãs conscientes e ativos. Outras intervenções apontaram para realidades emergentes como novas formas de pobreza, mais escondidas e envergonhadas, e para novos formatos de famílias. A iniciativa terminou relembrando que o projeto “Uma Aventura no Mundo da Cidadania” convida à formação de grupos de cidadãos e cidadãs que ajam em prol do desenvolvimento e da coesão social. Ficou assim lançado o desafio para que os encontros continuem no sentido de agirmos coletivamente para o bem comum.

Esta iniciativa tratou-se de uma organização em parceria com a Cáritas Paroquial de Gouveia. Uma Aventura no Mundo da Cidadania é um projecto financiado pelo Programa Cidadania Ativa/EEA Grants.

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