Valorização igualitária do tempo para a construção de comunidades mais colaborativas

IMG_2607Foi no contexto da ação “Entre Gerações” do Grupo Aprender em Festa que o CLDS 3G de Gouveia, projeto coordenado pela Casa do Povo de Vila Nova de Tazem, promoveu no dia 12 de maio a iniciativa Banco de Tempo com Eliana Madeira, coordenadora nacional do Banco de Tempo, na Biblioteca Municipal Vergílio Ferreira. A sessão de esclarecimento abrangeu mais de 40 participantes, e teve como objetivo explicar a filosofia do Banco de Tempo, e auscultar a comunidade para as potencialidades de existir uma agência no concelho de Gouveia. IMG_2610

Com o recurso a dinâmicas de grupo, Eliana Madeira convidou os/as participantes a refletirem sobre “o que podemos fazer pelos outros” e “o que achamos que os outros podem fazer por nós” com o objetivo de perceber quais os possíveis serviços que poderiam ser trocados dentro da comunidade. Os serviços mais referidos foram aulas e ateliers de trabalhos manuais, leitura, pintura, informática, línguas; acompanhamento para idas a consultas médicas e a eventos recreativos e culturais. Foram ainda referidos outros serviços como cuidar de animais, apoio na recolha de bens alimentares, companhia em passeios/caminhadas, entre outros.

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De forma sucinta, Eliana referiu que o Banco de Tempo é um sistema de organização de trocas solidárias de tempo, que promove o encontro entre a oferta e a procura de serviços, disponibilizados pelos sus membros, tendo sido trazido pelo Graal (movimento internacional de mulheres cristãs) para Portugal há 14 anos. O Graal tem-se focado no apoio e organização de iniciativas que visam a criação de novos modelos de vida em sociedade. Como princípios base do Banco de Tempo destacou a troca tempo por tempo em que a unidade de valor e de troca é a hora. Todas as horas têm o mesmo valor: não há serviços mais valiosos do que outros. Existe obrigatoriedade de intercâmbio: todos os membros têm de dar e receber tempo. A troca não é direta: o tempo prestado por um membro é-lhe retribuído por qualquer outro membro. Os serviços disponibilizados correspondem a atividades que se realizam com gosto e, para as realizar, não podem exigir-se aos membros certificados ou habilitações profissionais. Salientou ainda que troca assenta na boa vontade e na lógica das relações de “boa vizinhança.

IMG_2633Contando com 29 agências espalhadas por todo o país, o balanço das atividades do Banco de Tempo têm-se revelado positivas no combate ao isolamento e a solidão; no reforço da rede de relações sociais de apoio; na construção de relações sociais significativas, humanas, igualitárias; na criação de oportunidades de colaboração com pessoas de diferentes idades, proveniências, condições sociais; facilitando a conciliação entre vida profissional e familiar, resolvendo problemas concretos da organização da vida quotidiana; promovendo o desenvolvimento de novas competências e o reconhecimento das capacidades de cada pessoa; criando espaços de reflexão crítica e de participação ativa na vida das comunidades e facilitando o acesso a serviços que dificilmente poderiam ser obtidos pelos membros, dado o seu custo ou a sua especificidade.

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